domingo, 1 de maio de 2016

ARTIGO DE OPINIÃO - ZEITGEIST DA "MERCENÁRIOS"

Tenho acompanhado os recentes desdobramentos da Operação Mercenários e confesso que sinto um grande desconforto e indignação. Não pela prisão dos envolvidos mas pelo justiçamento e pela exposição desnecessária da Instituição promovidos pela PJC e pela SESP.
 
Não defendo criminosos (e todos sabem disso) mas defendo investigação isenta e juízo de valor proferido pelo tribunal competente com provimento jurisdicional final. Jogar nomes para a imprensa dizendo que são responsáveis por até 40% dos homicídios em Várzea Grande e taxar a todos de "mercenários" me parece uma grande irresponsabilidade por vários aspectos:
 
- Todos desenvolveram as mesmas ações?
 
- As condutas foram individualizadas?
 
- Existe comprovação de que os 12 participaram dos homicídios?
 
Se a resposta para qualquer destas perguntas for uma INCERTEZA ou NEGAÇÃO comprova-se a fragilidade da afirmação e a CERTEZA de que o provimento jurisdicional será favorável aos "mercenários". Contudo a minha maior indignação e desconforto está no trato com a imagem institucional.
 
Parece-me que há uma tentativa de "criminalização" da imagem da instituição ofertando excessiva publicidade ao fato de que alguns INVESTIGADOS são policiais militares e à circunstância de que armas e acessórios de propriedade da PMMT, foram apreendidos na casa de alguns dos SUSPEITOS.
Ora, não bastando o fato de que SOMOS O ÓRGÃO PÚBLICO que mais pune os seus integrantes com demissão/exclusão APÓS CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA, é notório que também somos aquele que mais investiga o seu público interno.
 
Por outro viés, atualmente somos aproximadamente 8 mil homens e se os 6 policiais forem condenados (hipótese remota dada a fragilidade da investigação que antecipadamente os acusa), acredito que eles representem 0,075% do todo, ou seja, muito distante de qualquer amostra considerável.
 
Dito isso, é tendencioso (quase criminoso) relacionar o adjetivo "mercenários" a policiais militares. Somos uma categoria que diariamente sofre supressão de DIREITOS BÁSICOS e que entrega a vida por pessoas que nem mesmo conhece. Chamar um PM de "mercenário" ou qualificá-lo com este adjetivo é desconstruir DOLOSAMENTE o trabalho daqueles que não esperam nem um "simples obrigado" ou o trabalho de uma Instituição que há décadas carrega a segurança pública, praticamente sozinha, em seus ombros.
 
A imagem e a identidade da instituição DEVEM ser preservadas pois elas ultrapassam a todos nós. Portanto, tenhamos cuidado e CAUTELA pois o zeitgeist da "mercenários" está nas entrelinhas e no dolo dos "imparciais" profissionais que a conduzem...

Data: 29/04/2016
Fonte: Major PM Murilo Franco de Miranda.
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