quinta-feira, 10 de maio de 2012

Prejuízos com trote na PM podem passar de R$ 100 mil

O comandante-geral da Polícia Militar, coronel Osmar Lino Farias, considerou "incalculáveis" os prejuízos causados pelo trote que o pedreiro Paulo Rodrigues Pereira, 47, praticou contra o Centro Integrado de Operações de Segurança Pública (Ciosp), na segunda-feira (7). Contudo, ele avaliou que a corporação teve um gasto de mais de R$ 100 mil.

Devido ao trote, as equipes de elite da PM - Bope, Rotam e Ciopaer -, além do Corpo de Bombeiros e Samu, se deslocaram para a Avenida Isaac Póvoas, na região Central, e cercaram as imediações do Edifício Wall Street. A operação iniciou as 8h30 e foi finalizada às 11h30, quando oficiais confirmaram que a denúncia de um assalto com sequestro, no prédio, era falsa.

Paulo Pereira telefonou para o Ciosp usando um celular e disse que era zelador do edifício, que estava sendo invadido por "quatro bandidos fortemente armados".

Em outra ligação, ele se passou por um dos supostos bandidos e dizia que iria matar reféns, caso o Bope entrasse no edifício.

O coronel Farias disse ao MidiaNews que não há como mensurar precisamente o valor que foi gasto com toda a operação.

“É difícil dizer um valor exato. Deslocamos oficiais do Bope, com os atiradores de elite, Rotam, helicóptero do Ciopaer, ambulâncias do Samu, carro do Corpo de Bombeiros, agentes de trânsito... Fizemos reservas nos hospitais, médicos ficaram de prontidão... Foi uma operação muito grande. Os profissionais passam por uma tensão muito grande, é uma alta gama de estresse”, disse o oficial.

Além dos gastos diretos da megaoperação, Farias pontuou que não devem ser deixado de lado os prejuízos que foram causados em toda a sociedade, que padeceu em vários quesitos, devido ao trote do pedreiro.

“Não podemos deixar de contabilizar que o edifício alvo da operação é um conjunto comercial. As pessoas deixaram de trabalhar, as empresas não faturaram. As ruas foram bloqueadas e isso impediu as lojas localizadas na avenida e no entorno dela  de venderem. As pessoas que precisavam passar por aquele local tiveram que escolher outros caminhos para seguir o seu destino. Isso leva mais tempo, mais gastos, mais aborrecimento”, analisou o coronel.

Farias disse ainda que o elevado número do efetivo da PM usado na operação deixou a população desprotegida. O coronel citou o exemplo de um comerciante que acionou a PM, logo após seu estabelecimento ter sido invadido, e demorou a ser socorrido. “Um cidadão de bem acionou a Polícia, era uma ocorrência verdadeira e ele padeceu, porque grande parte dos policiais estava atendendo a um trote”, exemplificou.

Mudança na legislação

Após a ocorrência do trote, o coronel Farias observou que esse pode ser o momento oportuno para os legisladores, da esfera municipal principalmente, atentarem para a criação de uma lei que puna com aplicação de multas as pessoas que se atreverem a “brincar” com trote.

“Eu vi um major, de uma cidade do interior de São Paulo, dizendo que quem é pego aplicando trotes tem que pagar uma multa de R$ 2 mil. Atualmente, a pena é muito branda e não deixa as pessoas temerosas nesses casos”, disse.

Trotes

Conforme levantamento do Ciosp, de janeiro a abril deste ano, foram registradas 43.026 falsas ocorrências ou trotes, sendo que 36.620 foram praticados por crianças e 6.406 por adultos.

“Infelizmente, a Segurança Pública ainda enfrenta esse tipo de problema, que dificulta nosso trabalho”, disse o coordenador do Ciosp, tenente-coronel PM Eduardo Henrique de Souza.

Brincadeira sem graça

Paulo Rodrigues Pereira, 47, foi identificado como o autor das ligações que levaram os pelotões de elite da corporação a desencadear uma megaoperação contra um suposto assalto com reféns.

Ele negou que tivesse ligado para o Ciosp e passado um trote. Alegou que o chip de seu celular, da operadora Claro, teria sumido na parte da manhã e, quando retornou para casa, por volta do meio- dia, a esposa lhe informou que a Policia o havia procurado.

Pereira foi preso no bairro Jardim Vitória, após a Polícia rastrear um aparelho de telefone celular do qual ele ligou, duas vezes, somente na manhã de segunda-feira, no bairro Santa Isabel. Outras 29 ligações falsas, somente em 2012, foram atribuídas ao mesmo número de telefone.

Na primeira ligação, Paulo dizia que era porteiro do edifício Wall Street e que se chamava Rodrigo Silva; e que, por já ter servido ao Exército Brasileiro, conhecia as armas que os supostos assaltantes estavam portando. Ele disse que havia fuzil e até granada.

Já na segunda ligação, ele disse que era um dos assaltantes e que iria matar todos os reféns, caso o Bope entrasse em ação.

Informações Midia News